Quem nunca foi ao consultório de um psicólogo e se submeteu a, hum..digamos, tratamento pode até ter algum tipo de preconceito (eu já tive muito), mas a verdade é que é algo do tipo ame ou deixe-o.
Se abrir à alguém que está ali durante 50 minutos (remunerados) para ouvir o que você tem de mais inquietante (ou não) pode ser um exercício mais árduo do que levantar 30 kilos no supino.
Você nunca viu a pessoa e de repente ela é capaz de ver (ou ouvir) coisas que ninguem vê ou que pelo menos você não gostaria que vissem.
Mas no fundo, embora seja um pouco assustador (para os mais timidos) a terapia deveria ser algo obrigatório. Deveria ser como ir ao ginecologista, ao dentista, à academia. Você não vai à nenhum deles?? Ok, deveria ser como ir à manicure...uma vez por semana você está lá.
Minha primeira experiencia com um profissional da área não foi tão legal. Embora ela tenha me dado um direcional e me ajudado (muito muito) a tomar uma decisão importante (não que ela tenha dito o que fazer...eles nunca dizem, a gente "descobre"), nas ultimas sessões em que eu fui ela bocejava e comecei a achar a minha vida e meus problemas entediantes demais...ia precisar de um outro psicologo pra me curar da psicologa enfadada, pensei. Então tchau Dra. Soneca...até outra crise de Freud!
Como minha mente muitas vezes parece uma grande armário desarrumado, com peças de inverno e verão totalmente misturadas, não demorou muito até que eu tivesse que procurar um outro profissional...e tem sido ótimo. Tem sido otimo procurar a ponta do novelo embaraçado e a sensação de leveza que eu tenho é muito parecida com a que eu tive quando consegui entrar numa calça 40.
Tem dias que eu saio do consultório como se tivesse, num dia de calor escaldante, dado um mergulho na cachoeira, deixando a água cair na cabeça...em outros parece que estou no meio de um palheiro procurando a agulha de 5 cm...mas em todos os dias, após 50 minutos de uma das conversas mais agradáveis que tenho durante a semana, saio de lá tranquila, me entendendo, me orgulhando do meu "eu", ainda que esse "eu" seja mais louco do que eu mesma possa imaginar (toca a música do Biafra: louco é quem me diz, que não é feliz...eu sou feliz!")
Fazer análise não significa ser fraco, ou ter problemas psicológicos...significa buscar se conhecer e usar o auto conhecimento a seu favor.
Se eu continuasse na roda viva da superficialidade, no cotidiano sem sentido, mecanico e automático, em que vivemos hoje, talvez tivesse continuado numa vida onde a felicidade seria uma busca utópica, uma realidade fictícia, um comercial de margarina...eu continuaria sendo protagonista de um reality show tal qual Truman em O Show da Vida.
Mas quando resolvi mergulhar no profundo mar da alma, do psiquê, do inconsciente, do meu "eu" ou seja lá como os profissionais da psicologia chamem o objeto de seu estudo, fui aos poucos quebrando a casca (grossa) do ovo que me aprisionava. fui desenhando meu novo contorno, explorando minhas falhas, fraquezas e fortalezas..fui abrindo os olhos, enxergando...acostumar à claridade não foi - nem tem sido - fácil. Mas por mais dificuldades, angustias, surpresas sempre se é mais feliz quando a gente se conhece, se aceita, se perdoa, se gosta, se namora.
Parece post de auto ajuda, mas não é não. É só um testemunho pra dizer que descobri um novo método estético que vai te deixar mais bonita e fazer você arrasar de verdade quando usar aquela cor de esmalte, aquela make importada, o primer, as clogs, open boots, scarpins, a moda do SPFW. Isso tudo fará mais efeito quando você puder ficar calada e ouvir o que o seu silencio lhe diz, se conhecer - e se orgulhar - do que tem por dentro. Vamos para o divã?! Senta aqui.
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