Fazia tempo que não escrevia sobre coisas que me irritam...mas aí aconteceu. Esse post também podia ter como titulo:
Quando alguem deixa de ser aquilo que sempre foi para ser quem nunca será.
Mas vamos ao post.
Eu admiro as mulheres.
Admiro sua coragem, a determinação, o dom que tem de fazer várias coisas ao mesmo tempo com capricho e com amor.
Eu admiro a sensibilidade que persiste mesmo nas atividades mais árduas.
Admiro a forma sagaz como abraçam seus ideais, seus sonhos, suas metas. Só uma mulher é capaz de subir no salto, fazer o carão, enfrentar um dia louco de trabalho ainda que esteja sangrando (literalmente).
Mas tem uma coisa na mulher que me faz, às vezes, querer sacudi-las, chacoalhar, que me mata de vergonha de fazer parte da "classe", que me faz contar até dez e controlar a lingua para não dizer: "Acorda, ô mula!"
Eu tenho implicancia de mulher que se apaixona.
Não, não...
Tenho implicancia de mulher que emburrece quando se apaixona! Sim...porque não é porque se apaixona que eu implico, afinal se apaixonar é gostoso....mas eu tenho horror a mulher que emburrece quando se apaixona.
Tédio.
Há meses eu conheci uma colega. Simpática, com um sorriso doce, uma garota meiga, muito muito feminina. Usava apenas esmaltes claros, tinha um estilo muito feminino de vestir, era facil vê-la de vestido e sandálias de salto, scarpins, saias lápis. Usava trança e outros penteados bem romanticos. Gostava de cor de rosa. E na playlist o sertanejo imperava. Longe de tecer aqui comentários ao gosto musical ou ao estilo de se vestir, esse não é o objetivo do post.
Bem, ai ela começou a namorar com um moço...moço gente boa até, mas bem diferente dela.
Passaram meses, 6, 8 meses...o namoro vingou.
Um dia me assustei, ela apareceu na minha frente de meia fio 40, delineador preto, coturno e cinto de tacha no melhor estilo rock and roll. Ok, podia ser uma variação de estilo, eu mesmo não tenho estilo nenhum definido...mas...veio a foto dela no Facebook fazendo o gesto do metal, aquele com o dedo indicador e o mindinho pra cima sabe?
Comecei a estranhar...
Mas pior mesmo foi quando peguei uma carona e vi que na playlist que antes Paula Fernades imperava ao lado de Victor & Leo, agora tinha um metal pesado rolando, uma barulho (literlmente) dos infernos.
Agora ela vai a shows de metal de bandas alternativas aqui de BH, anda de coturno, usa esmalte preto com flocado, bracelete de tacha, e umas coisas que há uns 6 meses era inimaginável vê-la usando.
Nada contra a mudança de estilo, de gosto musical, de vocabulário, de gestual.. nada contra...
Mas qual a razão da mudança??
É o motivo da mudança que me incomoda, que me irrita até.
A paixão é a criptonita da personalidade.
Eu fico me perguntando se o namorado metaleiro - que faz com que a menina docinho vire uma rock girl - ainda vai continuar interessado nela já que quando se conheceram (e começaram a namorar) ela não era essa personagem montada que é hoje.
Me incomoda essa caracteristica feminina.
Sim,
feminina, porque nunca vi nenhum homem deixando de ser o que é para "agradar" a parceira. Eles fazem outras coisas para se mostrarem parceiros, interessantes, para fazer feliz quem ama...mas dificilmente se sabotam, transformam seu estilo, deixam de acreditar naquilo que acreditavam.
Ah, eu esqueci de comentar que ela agora acredita em duende, em coisas celticas, em poderes da floresta
porque o namô acredita....
Mulher de fases.
E se o namoro acabar?
Que personagem ela será?
E será que continuará sendo quem ela não é até quando?
O problema é que - algumas - mulheres vivem o eterno desafio de ser a cara-metade, se esquecem de ser inteiras, se esquecem de curtir sua propria companhia, equivocam-se ao colocar a felicidade na mão do outro pensando que a felicidade é algo conquistado a dois. Ei psiu?! A felicidade, meu bem, é compartilhada...só assim ela se multiplica.
Ai ficam nessa, de ser aquela personagem que elas imaginam ser o a companheira dos sonhos dos amados...acabam só...só de sí mesmas.
Já tá participando da promoção???