quarta-feira, 4 de maio de 2011

Sobre meu onirismo...


Eu fabrico cenas, ponho cor nelas, incluo diálogos, imagino reações, sorrisos, abraços, às vezes até uma rodopiada digna de filme, pitadas de clichê.
Minhas cenas tem trilha sonora, tem temperatura, tem cheiro, tem vento.
Às vezes nas cenas que eu fabrico tem coreografias, karaokê, um romance, uma saudade, um sonho dentro do sonho.
Em minhas cenas existem todos os "eus" que não sou. Posso ser quem eu quiser. Posso mandar, desmandar, ser mandada. Posso ser a frágil e a fortaleza. As cenas são só minhas, mas nunca estou só nelas, embora, fora delas, a solidão seja minha companheira.
 Meu universo particular se transforma num mundo onirico impenetrável, sigiloso. Meu segredo, minhas cenas, minha fabrica de ilusões. Lá sou sempre bela, sempre magra, sempre amada, sempre feliz. Lá existe alguem que canta You Are So Beautiful olhando nos meus olhos, numa noite de luar, com o som das ondas quebrando de fundo, o vento mexendo meus cabelos.
No meu onirismo há festa, seja uma festa a dois, seja uma festa de um monte de gente. Os sorrisos são constantes, a paz impera.
No meu doce delirio, o ar é fresco, as toalhas estão limpas, as luzes nunca empalidecem. O som é sempre puro, o sexo é sempre bom e apaixonado. As amizade são verdadeiras. Lá dinheiro nunca é problema, e a falta dele simplesmente não existe.Os sorrisos são sinceros. E a parte boa da historia sempre prevalece sobre a ruim.
Não há solidão. Não há grito mudo. Não há lagrima que não seja contida por um beijo cálido. Não há vazio que não encontre amparo num abraço quente. Não há cama vazia.
No mundo criado por mim, os dias tem sabor de macarronada, um sabor suculento, morno, com pitada de manjericão. Há brownies de chocolate com nozes. Há jeito de Natal. Há um vestido com bom caimento. Há barulho de taças que brindam.
Nas minhas cenas um dia eu acordo, e ao abrir os olhos percebo que vivo no sonho. Num sonho real. Numa realidade doce.
E, se parar mesmo pra pensar, já vivi, e sinto que viverei ainda, muitas dessas cenas e que, embora na realidade elas durem menos do que na mente, catalogo todas e posso reprisa-las no coração.

4 comentários:

Micha Descontrolada disse...

q post lindo..
eu tb sou um pouco assim, me vi aí no seu texto.


/(,")\\
./_\\. Beijossssssssss
_| |_................

Lulu on the Sky® disse...

Ah Carol que delícia de texto.
Big Beijos

Lucimere disse...

A gente é o que a gente quer, o que a gente pensa ser e ponto final.
Lindo. Amei. bjo

luciano disse...

Caraca, esse texto que postou vai além de sua pessoa, pertence à humanidade. Inspiradíssimo! E ao mesmo tempo é como algo que todos sentem e gostariam de dizer; como se suas palavras fossem minhas, do José, da Ana, do Sebastião, dos negros, dos índios, dos brancos, do mundo... Muito bom, obrigado por existir! Muita Luz.